Havia uma tristeza no amor romântico, uma tristeza da sua impossibilidade, pois era amor a uma imagem e não ao ser amado por si. Era um amor inalcançável na carne, mas, por isso, era o único amor perfeito.
A herança deixada por esse amor perverso, posto ao lado, a parte, é a incapacidade de se satisfazer, pois ele está justamente na imagem a parte da pessoa amada. No entanto, o amor é desde sempre um amor a imagem, a beleza, a verdade, é sempre um eidos.
Em uma era do Eu como centro do mundo ocidental, o amor ao outro é um amor a imagem que fazemos do outro, mas uma imagem narcísica. A perfeição é um outro que me confirme como eu, minhas qualidades como maravilhas e meus defeitos como qualidades, pois me constituem em minha perfeição.
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| Os Amantes de René Magritte, 1928 |
No final, fugimos tanto do peso das relações e de seus sofrimentos inerentes, que aceitamos uma alegria leve, sem profundidade, e está tudo bem, pois a nossa carne esconde todo o vazio que a vida já nos dá e todo o vazio que nosso Eu constrói para si mesmo. Fugir para nossa própria imagem e morrermos afogados como narciso, por que não? Afinal, melhor viver o superficial e morrer sem sofrimento na nossa própria imagem, do que se jogar na imensidão da vida e amar o desconhecido do outro e de nós mesmos, sob o risco de sofrer, mas, também, de experienciar a felicidade, sem escondê-la na euforia.

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